Opinião | Passion | Brian De Palma. 2012

Título em Portugal: Paixão
Data de estreia: 11.07.2013



Passion foi realizado por Brian De Palma e é baseado num thriller francês de 2010. É uma história de luta pelo poder entre duas executivas de alto nível – Christine (Rachel McAdams) e Isabelle (Noomi Rapace). A primeira é ambiciosa, confiante e elegante, Isabelle é (aparentemente) o oposto. A relação profissional e pessoal entre as mulheres inicia-se com um sentido de protecção de Christine para com Isabelle, acrescido de algo que se assemelha a uma empatia sexual, mas, tudo muda quando as ideias de Isabelle são roubadas por Christine – a sua superior hierárquica. A ambição da executiva resulta numa humilhação constante e jogo pervertido de dominação para com Isabelle. 

Esta complicada relação piora, quando entra uma terceira pessoa na intimidade de ambas – Dirk (Paul Anderson) e uma quarta, ruiva e lésbica – Dani (Karoline Herfurth)


O inicio do filme, não podia ser mais lésbico possível, mas, tal como o poster, nem tudo o que parece é. Na verdade, a tensão sexual que pensamos existir entre as personagens é bem manobrada pelo realizador – porque desta estranha ilusão, faz nascer uma relação doentia e de ódio extremo. As duas actrizes são o filme. Rachel McAdams está encantadora e a personagem de Noomi Rapace cresce ao longo do filme. Interpretações sólidas que dotam o filme da intensidade emotiva que precisa. 

De Palma fez uma ode à década de 70, criando uma ligação (ou imitação, para alguns) aos mestres do suspense – de que Alfred Hitchcock é o nome maior. O realizador ousou, experimentou e editou. Fez um paralelismo absolutamente extraordinário entre a história do filme e um ballet, recorrendo a uma tela dividida em duas. O crime e a arte dividem o “palco”, confundem e encantam o expectador, com uma música de fundo escolhida ao detalhe. 

O fim do filme é propositadamente confuso e torcido. O assassino é rapidamente revelado, mas com a revelação, surgem mais dúvidas e aquilo que era aparentemente fácil, torna-se intrincado.  Uma coisa é certa, aqueles que vêem Passion, vão chegar ao fim do filme surpresos e com muitas dúvidas. O filme de De Palma não é fácil, mas não é indiferente. 

Nota:
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